VIDAS ROUBADAS
AUTOR: ANDRÉ DA
ROCHA MENDONÇA
CAPITULO I
NO INICIO FLORES
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A
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ntonio da Silva e Maria Agripina da Silva, um casal de
origem simples, vindo de uma família que se conheciam desde pequeninos. Ambos
naturais da cidade de Varre-Sai, num ponto distante cercados de matos e algumas
cabeças de gado. O amor de Antonio por Maria, vinha desde novos quando ele
passava com seu pai em frente a casa dela e ficava a vendo brincar com suas
irmãs mais novas. Ele o mais velho de um total de oito irmãos e ela a quarta de
doze. Não tiveram muito tempo para o estudo assim como milhares de
brasileirinhos que devido à necessidade de ajudar os pais na lavoura e as suas
mães nos trabalhos domésticos precisam abrir mão de uma chance de estudar. Tudo
que aprenderam foi na grande escola da vida. Honestidade, dignidade, trabalho e
amor. Anos depois ele já com 19 anos e ela com 16 anos com as bênçãos de seus
pais começaram a namorar. No entanto tinham em mente algo maior para seus
futuros com sua futura esposa e filhos que surgiriam. Ao completarem seus 22 e
19 anos, perceberam que já era o momento ideal para terem sua própria família.
Mais onde morar? No que ele haveria de trabalhar? Ficariam ainda naquela cidade
aonde nasceram? Eram perguntas que persistiam na mente deles.
Nessa época
três dos irmãos de Antonio, não mais residiam em Varre-Sai, seu pai permitira
tempos atrás que fossem morar na capital com uma tia que lá se encontrava há
mais tempo. Ficou decidido então que ele haveria de morar nos fundos da casa de
Genésio, na favela do Jequiri, na zona norte do rio. Ele assim que chegou fora
trabalhar numa loja de moveis e ela numa casa de família, esse dinheiro eles
começaram a juntar para realizarem seu casamento, montarem sua casa e mobilhar.
Dois anos depois de chegarem ao Rio, com a casa pronta e mobilhada eles
resolveram casar. Nesse tempo toda família de Antonio já estava morando também
na capital, faltando apenas à família de Maria, mais no dia tão esperado todos
estavam presentes para celebrar aquela união. Foram três dias de festa ate
mesmo a patroa de Maria fora prestigiar essa união, pois era como filha para
seus patrões.
Muita coisa
mudou em suas vidas desde que se mudara para o Rio. Depois de três anos de
casados tiveram uma boa noticia. Depois de Maria, se sentir indisposta sua
patroa que era medica ao examina-la constatou que sua empregada estava grávida,
para felicidade de Maria e um pouco de preocupação de D.Ivone, pois temia perder
uma ótima empregada e a cozinheira perfeita.
Nesse dia
ao chegar a casa Maria, fez um jantar especial para Antonio, e depois como era
de costume ela lhe fez a grande revelação para felicidade dele. Agora ele
percebeu que muita coisa iria mudar. Teria que trabalhar mais a fim de cuidar
dessa criança que iria chegar.
Durante o
período de gravidez Maria, buscou mais ainda orientações em uma igreja perto de
sua casa e passou a levar Antonio com ela nas orações. Isso ajudou em muito na
união do casal, com ajuda de sua patroa ela conseguiu montar todo enxoval da
pequena Maria Eduarda, o nome escolhido para a criança que haveria de chegar.
Antonio passou a fazer mais horas extras. Enfim chegou o grande dia a pequena Maria,
enfim nasceu grande e forte.
Os anos se
passaram e tiveram ainda um casal de filhos Francisco de 3 anos, Isabel de 1
ano e Eduarda agora com 5 anos. Desde nova ela demonstrou ser a mais geniosa,
não gostava de dividir seus brinquedos com nenhuma coleguinha nem seus irmãos.
Todos falavam que se parecia com seu avo Genésio, por parte de pai. O tempo
passou e os filhos cresceram Antonio com o tempo conseguiu um emprego em firma
maior e era bem querido por todos. Maria Agripina, não mais pode continuar em
seu trabalho, pois a vida como dona de casa e cuidar de filhos não lhe permitia
algo mais. Agora sua vida se resumia a casa, filhos e igreja com sua família.
Uma família normal como todas as outras, mais que conviviam em uma comunidade
dominada pelo poder a margem da lei. Drogas, morte e dor eram o que viam e
ouviam pelas frestas de sua humilde casa. Já com seus 7 aninhos a pequena Duda,
já manifestava o gosto pelo que e bom. No colégio era uma aluna exemplar e
segundo suas professoras uma menina bem sonhadora. Os anos foram passando agora
toda família de Antonio e Maria, já moravam perto de seus filhos e demais
netos. Toda a festa em família mais parecia um casamento de tanta gente ao
redor da mesa. Numa dessas festas numa dessas festas avó Ambrosina, que era
muito observadora, com seus muitos anos de vida, percebeu em Duda, algo que ela
não gostou e comentou com sua filha. Ela vira que Duda não se sentia solta
junto a seus primos, parecia estar se sentido em uma família diferente. Nessa
ocasião ninguém além de sua avó dera importância a esse fato.
Toninho e
Maria, pensando no conforto da família depois de muito esforço reformaram toda
casa construindo cômodos maiores para dar liberdade aos filhos que cresciam. E
sempre que possível passeavam com eles e as crianças da igreja para eles não
sentirem a necessidade de se misturarem com as crianças que viviam largadas
pelas vielas da favela onde moravam. Seus filhos eram da mesma forma muito
queridos entre a comunidade religiosa e participavam ajudando sempre em alguma
coisa quando necessário. Como na vida nem tudo são flores algo aconteceu numa
véspera de final de semana que daria sinais que o que avó Agripina falou estava
prestes a se realizar. Era o momento de Antonio e Maria, olharem mais
atentamente para o comportamento da pequena Duda, agora com seus 15 anos.
Uma sexta feira como todas as outras três
dos filhos de Maria estudavam na parte da tarde e a pequena Duda, na parte da
manha por isso voltava com amigas para sua casa, no entanto sempre que tinham
trabalhos para fazer ela parava na casa de sua amiguinha Fernanda, uma menina
linda, também estudiosa cujo pai possuía uma condição financeira bem melhor que
a família de Duda, com um quarto cheio de bonecas, televisão, vídeo game tudo
que ela queria no seu. Já se passara das 17:00 e ela ainda não havia retornado
para sua casa ainda, gerando preocupação em dona Maria, que achou por bem ligar
para seu esposo que voltou um pouco mais cedo também preocupado com essa
demora. Depois de muito ligarem para suas amigas a encontraram na casa de
Fernanda, isso já por volta das 19:00. Assim que ela chegou à casa trazida pelo
pai de sua amiga, ela já sentindo que as coisas não estavam boas para ela foi
direto para seu quarto enquanto seus pais conversavam com o pai de Fernanda em
sua porta.
Quando
entrou em sua casa Antonio, foi direto ao quart de Duda, já com o cinto
preparado em sua mão, ele era de poucas palavras mais à medida que se ouvia o
assoviar do cinto cortando o ar e estalando no corpo de Duda, seus irmãos mais
novos e sua mãe permaneciam calados na sala, pois sabiam que de nada adiantaria
intervir. Nas duas semanas seguintes fora lhe imposto castigo de não ver
televisão e deveria estar em 20 minutos depois de findar sua aula em casa, ele
haveria de ligar todos os dias para confirmar se estava cumprindo. No dia
seguinte um sábado que seu pai trabalhava na parte da manha sua mãe assim que
ele se fora, acordou Duda, para conversar acerca do ocorrido. Sua mãe
bondosamente lhe perguntou o motivo de ela ter feito isso. Ela alegara que não
tinha como avisar, pois a família não possuía telefone em sua casa e ela não
sabia o telefone de Dona Isaura, a única visinha próxima que possuía telefone.
Ela com os olhos ainda em lagrimas confessou que fora também para brincar com
as bonecas que ela tinha, pois ela sempre quis aquelas coisas que seu pai não
poderia lhe dar. Quando ela crescesse ira ter tudo que seu pai não lhe dava.
Essas palavras doeram fundo em sua mãe, pois via o esforço que Antonio, sempre
fazia para prover tudo de bom e financiar os estudos das crianças. Veio em sua
mente o que sua mãe lhe falara anos antes e ninguém havia dado valor. Sua mãe
achou por bem nem mesmo comentar isso com seu marido, pois sabia o que poderia
ocasionar essa declaração, mais castigo e quem sabe uma surra muito pior.
Diferente
de Duda, os demais filhos não davam muito trabalho eram crianças normais na
verdade que menos estudiosos que Eduarda, contudo o tratamento era igual para
com todos os filhos. Os anos se
passaram, suas vidas se seguiram normalmente, trabalho, colégio, casa, igreja e
passeios em família. Nesse momento de suas vidas as coisas estavam bem melhores
financeiramente para Antonio, já dava para ter uma televisão em sua sala, a
muito custo também um aparelho de telefone, que por sinal dera muito trabalho,
pois Duda ficava pendurada a tarde toda no telefone. Passou a ser mais um
motivo para constantes broncas na época de pagar a conta. Com forme os filhos
iam crescendo dividiram as tarefas em sua casa, uma arrumava as camas, outro
lavava a louça, outro varria a casa e a Duda, por ser maior coube ir ao banco
pagar as contas. Tempos depois ao analisar uma das contas de sua casa
Sr.Antonio, percebeu um aviso de corte devido a contas vencidas, no entanto ele
sempre deixara rigorosamente em dia todos os valores com sua esposa pra o
pagamento das contas. Assim qual o motivo delas não estarem sendo pagas em
dia? Ao chamar sua esposa para conversar
ela lhe contou que cabia a Duda, ir ao banco pagar as contas e que ela não conferia,
pois dava o valor certo para ela pagar. Eles chamaram então ela para saber o
que estava acontecendo. O que eles não queriam ouvir foi à resposta dela a
pergunta. Ela lhes disse que havia usado o dinheiro para comprar um perfume que
havia visto na casa de sua colega de escola. Nessa noite ninguém pode impedir
seu Antonio, de dar mais uma daquelas surras em Duda. No entanto D. Maria
descobriu que ela tinha feito compras com amigas no
colégio de revistas de cosméticos. Quando chegou a casa ela foi vistoriar o
quarto de Duda, e para sua surpresa encontrou perfumes, batom e roupas que ela não
dera a sua filha. O sangue de D. Maria subiu ela foi à cozinha pegou a vassoura
e conforme ia brigando com Duda, ela batia com a vassoura, ela nem percebeu que
já havia quebrado ela por duas vezes ate acabarem suas forcas. Esse fora o
maior desgosto imaginaria a mãe de Duda. Mais enquanto ela apanhava de sua
dizia que seu pai não lhe dava o que ela pedia, que todas as suas amigas tinham
os cosméticos dela mais ela tinha de dividir com o de sua Irma mais nova. Ela por
essa situação ficou um mês de castigo sem ver televisão ou passear. Mais ainda
tinha coisas piores por vir.
