quarta-feira, 5 de setembro de 2012

VIDAS ROUBADAS CAP I





VIDAS ROUBADAS



AUTOR: ANDRÉ DA ROCHA MENDONÇA













CAPITULO I
NO INICIO FLORES







A
ntonio da Silva e Maria Agripina da Silva, um casal de origem simples, vindo de uma família que se conheciam desde pequeninos. Ambos naturais da cidade de Varre-Sai, num ponto distante cercados de matos e algumas cabeças de gado. O amor de Antonio por Maria, vinha desde novos quando ele passava com seu pai em frente a casa dela e ficava a vendo brincar com suas irmãs mais novas. Ele o mais velho de um total de oito irmãos e ela a quarta de doze. Não tiveram muito tempo para o estudo assim como milhares de brasileirinhos que devido à necessidade de ajudar os pais na lavoura e as suas mães nos trabalhos domésticos precisam abrir mão de uma chance de estudar. Tudo que aprenderam foi na grande escola da vida. Honestidade, dignidade, trabalho e amor. Anos depois ele já com 19 anos e ela com 16 anos com as bênçãos de seus pais começaram a namorar. No entanto tinham em mente algo maior para seus futuros com sua futura esposa e filhos que surgiriam. Ao completarem seus 22 e 19 anos, perceberam que já era o momento ideal para terem sua própria família. Mais onde morar? No que ele haveria de trabalhar? Ficariam ainda naquela cidade aonde nasceram? Eram perguntas que persistiam na mente deles.
     Nessa época três dos irmãos de Antonio, não mais residiam em Varre-Sai, seu pai permitira tempos atrás que fossem morar na capital com uma tia que lá se encontrava há mais tempo. Ficou decidido então que ele haveria de morar nos fundos da casa de Genésio, na favela do Jequiri, na zona norte do rio. Ele assim que chegou fora trabalhar numa loja de moveis e ela numa casa de família, esse dinheiro eles começaram a juntar para realizarem seu casamento, montarem sua casa e mobilhar. Dois anos depois de chegarem ao Rio, com a casa pronta e mobilhada eles resolveram casar. Nesse tempo toda família de Antonio já estava morando também na capital, faltando apenas à família de Maria, mais no dia tão esperado todos estavam presentes para celebrar aquela união. Foram três dias de festa ate mesmo a patroa de Maria fora prestigiar essa união, pois era como filha para seus patrões.
     Muita coisa mudou em suas vidas desde que se mudara para o Rio. Depois de três anos de casados tiveram uma boa noticia. Depois de Maria, se sentir indisposta sua patroa que era medica ao examina-la constatou que sua empregada estava grávida, para felicidade de Maria e um pouco de preocupação de D.Ivone, pois temia perder uma ótima empregada e a cozinheira perfeita. 
     Nesse dia ao chegar a casa Maria, fez um jantar especial para Antonio, e depois como era de costume ela lhe fez a grande revelação para felicidade dele. Agora ele percebeu que muita coisa iria mudar. Teria que trabalhar mais a fim de cuidar dessa criança que iria chegar.
     Durante o período de gravidez Maria, buscou mais ainda orientações em uma igreja perto de sua casa e passou a levar Antonio com ela nas orações. Isso ajudou em muito na união do casal, com ajuda de sua patroa ela conseguiu montar todo enxoval da pequena Maria Eduarda, o nome escolhido para a criança que haveria de chegar. Antonio passou a fazer mais horas extras. Enfim chegou o grande dia a pequena Maria, enfim nasceu grande e forte.
     Os anos se passaram e tiveram ainda um casal de filhos Francisco de 3 anos, Isabel de 1 ano e Eduarda agora com 5 anos. Desde nova ela demonstrou ser a mais geniosa, não gostava de dividir seus brinquedos com nenhuma coleguinha nem seus irmãos. Todos falavam que se parecia com seu avo Genésio, por parte de pai. O tempo passou e os filhos cresceram Antonio com o tempo conseguiu um emprego em firma maior e era bem querido por todos. Maria Agripina, não mais pode continuar em seu trabalho, pois a vida como dona de casa e cuidar de filhos não lhe permitia algo mais. Agora sua vida se resumia a casa, filhos e igreja com sua família. Uma família normal como todas as outras, mais que conviviam em uma comunidade dominada pelo poder a margem da lei. Drogas, morte e dor eram o que viam e ouviam pelas frestas de sua humilde casa. Já com seus 7 aninhos a pequena Duda, já manifestava o gosto pelo que e bom. No colégio era uma aluna exemplar e segundo suas professoras uma menina bem sonhadora. Os anos foram passando agora toda família de Antonio e Maria, já moravam perto de seus filhos e demais netos. Toda a festa em família mais parecia um casamento de tanta gente ao redor da mesa. Numa dessas festas numa dessas festas avó Ambrosina, que era muito observadora, com seus muitos anos de vida, percebeu em Duda, algo que ela não gostou e comentou com sua filha. Ela vira que Duda não se sentia solta junto a seus primos, parecia estar se sentido em uma família diferente. Nessa ocasião ninguém além de sua avó dera importância a esse fato.
     Toninho e Maria, pensando no conforto da família depois de muito esforço reformaram toda casa construindo cômodos maiores para dar liberdade aos filhos que cresciam. E sempre que possível passeavam com eles e as crianças da igreja para eles não sentirem a necessidade de se misturarem com as crianças que viviam largadas pelas vielas da favela onde moravam. Seus filhos eram da mesma forma muito queridos entre a comunidade religiosa e participavam ajudando sempre em alguma coisa quando necessário. Como na vida nem tudo são flores algo aconteceu numa véspera de final de semana que daria sinais que o que avó Agripina falou estava prestes a se realizar. Era o momento de Antonio e Maria, olharem mais atentamente para o comportamento da pequena Duda, agora com seus 15 anos.
       Uma sexta feira como todas as outras três dos filhos de Maria estudavam na parte da tarde e a pequena Duda, na parte da manha por isso voltava com amigas para sua casa, no entanto sempre que tinham trabalhos para fazer ela parava na casa de sua amiguinha Fernanda, uma menina linda, também estudiosa cujo pai possuía uma condição financeira bem melhor que a família de Duda, com um quarto cheio de bonecas, televisão, vídeo game tudo que ela queria no seu. Já se passara das 17:00 e ela ainda não havia retornado para sua casa ainda, gerando preocupação em dona Maria, que achou por bem ligar para seu esposo que voltou um pouco mais cedo também preocupado com essa demora. Depois de muito ligarem para suas amigas a encontraram na casa de Fernanda, isso já por volta das 19:00. Assim que ela chegou à casa trazida pelo pai de sua amiga, ela já sentindo que as coisas não estavam boas para ela foi direto para seu quarto enquanto seus pais conversavam com o pai de Fernanda em sua porta.
     Quando entrou em sua casa Antonio, foi direto ao quart de Duda, já com o cinto preparado em sua mão, ele era de poucas palavras mais à medida que se ouvia o assoviar do cinto cortando o ar e estalando no corpo de Duda, seus irmãos mais novos e sua mãe permaneciam calados na sala, pois sabiam que de nada adiantaria intervir. Nas duas semanas seguintes fora lhe imposto castigo de não ver televisão e deveria estar em 20 minutos depois de findar sua aula em casa, ele haveria de ligar todos os dias para confirmar se estava cumprindo. No dia seguinte um sábado que seu pai trabalhava na parte da manha sua mãe assim que ele se fora, acordou Duda, para conversar acerca do ocorrido. Sua mãe bondosamente lhe perguntou o motivo de ela ter feito isso. Ela alegara que não tinha como avisar, pois a família não possuía telefone em sua casa e ela não sabia o telefone de Dona Isaura, a única visinha próxima que possuía telefone. Ela com os olhos ainda em lagrimas confessou que fora também para brincar com as bonecas que ela tinha, pois ela sempre quis aquelas coisas que seu pai não poderia lhe dar. Quando ela crescesse ira ter tudo que seu pai não lhe dava. Essas palavras doeram fundo em sua mãe, pois via o esforço que Antonio, sempre fazia para prover tudo de bom e financiar os estudos das crianças. Veio em sua mente o que sua mãe lhe falara anos antes e ninguém havia dado valor. Sua mãe achou por bem nem mesmo comentar isso com seu marido, pois sabia o que poderia ocasionar essa declaração, mais castigo e quem sabe uma surra muito pior.
     Diferente de Duda, os demais filhos não davam muito trabalho eram crianças normais na verdade que menos estudiosos que Eduarda, contudo o tratamento era igual para com todos os filhos.  Os anos se passaram, suas vidas se seguiram normalmente, trabalho, colégio, casa, igreja e passeios em família. Nesse momento de suas vidas as coisas estavam bem melhores financeiramente para Antonio, já dava para ter uma televisão em sua sala, a muito custo também um aparelho de telefone, que por sinal dera muito trabalho, pois Duda ficava pendurada a tarde toda no telefone. Passou a ser mais um motivo para constantes broncas na época de pagar a conta. Com forme os filhos iam crescendo dividiram as tarefas em sua casa, uma arrumava as camas, outro lavava a louça, outro varria a casa e a Duda, por ser maior coube ir ao banco pagar as contas. Tempos depois ao analisar uma das contas de sua casa Sr.Antonio, percebeu um aviso de corte devido a contas vencidas, no entanto ele sempre deixara rigorosamente em dia todos os valores com sua esposa pra o pagamento das contas. Assim qual o motivo delas não estarem sendo pagas em dia?  Ao chamar sua esposa para conversar ela lhe contou que cabia a Duda, ir ao banco pagar as contas e que ela não conferia, pois dava o valor certo para ela pagar. Eles chamaram então ela para saber o que estava acontecendo. O que eles não queriam ouvir foi à resposta dela a pergunta. Ela lhes disse que havia usado o dinheiro para comprar um perfume que havia visto na casa de sua colega de escola. Nessa noite ninguém pode impedir seu Antonio, de dar mais uma daquelas surras em Duda. No entanto D. Maria descobriu que ela tinha feito compras com amigas no colégio de revistas de cosméticos. Quando chegou a casa ela foi vistoriar o quarto de Duda, e para sua surpresa encontrou perfumes, batom e roupas que ela não dera a sua filha. O sangue de D. Maria subiu ela foi à cozinha pegou a vassoura e conforme ia brigando com Duda, ela batia com a vassoura, ela nem percebeu que já havia quebrado ela por duas vezes ate acabarem suas forcas. Esse fora o maior desgosto imaginaria a mãe de Duda. Mais enquanto ela apanhava de sua dizia que seu pai não lhe dava o que ela pedia, que todas as suas amigas tinham os cosméticos dela mais ela tinha de dividir com o de sua Irma mais nova. Ela por essa situação ficou um mês de castigo sem ver televisão ou passear. Mais ainda tinha coisas piores por vir.